segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Flutuando no universo

Fechei os olhos. 

De longe pude ver uma coruja voando, ia sem me sentir olhando, só eu podia senti-la, estava rápida e rasante, cheia de poesia, como todas as coisas. 

Ia e logo sumiu, se dissipou, como energia de trovão, como o próprio vento. 
Era assim: fugaz. 
Logo se reverteu em tempo e espaço e não pude compreender bem o que era. 
Se revestiu em sentimento meio revestimento de vida: conhecimento.

 E lá fora música tocava leve para unir os meus pensamentos e sentimentos com o mundo inteiro.

Depois foi como onda do mar batendo na praia, lambendo a areia. 
Ouvi cada átomo perto de mim ressoar, como se dissesse que estavam bem ali, me alertando para realidade do momento-já, deste instante. 
Flutuei carregada pelos meus músicos, sentia a energia de cada um deles ao me sentir una com eles. 
Era uma coisa só, cheia de vida que pulsa. 

A energia que eu via se mover ao meu redor vinha como alma, leve e terna. Não tinha vontade, só se movia por que estava aqui, como se precisasse entrar em mim. E entrou. 

Ao entrar, abri os olhos. 
E continuei flutuando. 

( Para Amanda Argolo) 

sábado, 5 de novembro de 2011

Para começar ....

Todas as coisas não exitem.
Desconstrua! Já!

E se eu dissesse que a ciência, a história, a lógica e tudo que temos em volta não existe? Tudo é irreal, não passa de interpretação.
Interpretação a partir do que você acredita e por isso, só por isso, elas existem.
O que é o Real?

Já pensou em só uma mão batendo palma?

Nada existe. Tudo é relação: as coisas só existem se estão em relação com outras coisas. Somos um emaranhado de diversas relações que se conectam.
E não existe valor para essas relações, nesse emaranhado nada é mais importante ou menos importante.  Tudo depende de tudo.

Esta foi a realidade mais chocante que já me deparei nos últimos meses. "Como assim não existe nada?", minha mente constituída de lógica aristotélica, cartesiana, moldada ainda está se com essas ideias tão profundas. Percebi logo que seria impossível eu existir se não existisse outros, mas esse foi o raciocínio estanque, gosto de chama-lo de primeiro raciocínio, ou raciocínio superficial. Ele é um padrão, quando nos deparamos com algo realmente complicado o raciono superficial aparece, descende de outros raciocínios que foram elaborados pela mente no passado, só percorre a programação e acha uma solução rápida.
Como disse, é estanque, existem para o saciar o primeiro conflito que vai contra a lógica da mente condicionada.
Mas não fiquei satisfeita com ele e busquei mais fundo, repostas que pudessem me dar mais chão, agora que o conflito primeiro tinha passado. Vinha-me a pergunta: como poderiam haver relações se não existisse as coisas? Aí me deparei com o seguinte texto de Fritjof Capra ao falar de uma das palestras de Bateson, onde este questiona quantos dedos temos na mão:
""Quantos dedos você tem na mão?" após um pausa perplexa, vária pessoas responderam timidamente: "Cinco". No entanto ele berrou: "Não!". Alguns então arriscaram quatro, e novamente ele respondeu: "Não". Afinal quando todos já haviam desistido, ele disse: "Não! A resposta correta é que não se deve fazer uma pergunta dessas; é uma pergunta idiota. É essa a resposta que uma planta nos daria, porque no mundo das plantas e dos seres vivos em geral não existem coisas com dedos; existem apenas ralações"

Então pensei: "Poxa, será este teclado em que digito parte da minha mão?, ou melhor será que este teclado existiria se não tivesse mais nada em volta dele? Se eu não existisse será que o universo existiria? Se não houvesse o humano será que o universo existiria?"
Deixando claro que quando questiono  sobre "se eu existisse será que existiria?" não falo só da interdependência que necessitamos para existir, mas também da relação sujeito objeto.

Como posso ser se estivesse sozinha, seria atrofiada, não seria. Só seria se alguém compartilhasse do momento do encontro comigo, agora entendo o que Naemi Salgado fala sobre a mágica do momento do encontro, este momento é único, por que é nele que estreitamos nossas relações e nos tornamos algo para alguém ou alguma coisa. Antes do encontro oque havia era apenas a relação de dependência que nomearei de 'inconsciente', já que partimos do principio de que todo estamos conectados, e não percebíamos que esta pessoa ou coisa estava interferindo nas minhas relações das mais cotidianas as ligações mais pessoais.

Percebo a facilidade de se quebrar um paradigma (graças a Deus!) e sinto a evolução pulsar em minhas veias, trazendo vida para tudo que antes parecia inanimado.
Agradeço as consciências mais elevados por me proporcionar a dadiva deste encontro com o todo, me propiciando um novo olhar para o mundo e criando dentro de mim um amor vivo por tudo a minha volta , amor consciente do todo.