segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Flutuando no universo

Fechei os olhos. 

De longe pude ver uma coruja voando, ia sem me sentir olhando, só eu podia senti-la, estava rápida e rasante, cheia de poesia, como todas as coisas. 

Ia e logo sumiu, se dissipou, como energia de trovão, como o próprio vento. 
Era assim: fugaz. 
Logo se reverteu em tempo e espaço e não pude compreender bem o que era. 
Se revestiu em sentimento meio revestimento de vida: conhecimento.

 E lá fora música tocava leve para unir os meus pensamentos e sentimentos com o mundo inteiro.

Depois foi como onda do mar batendo na praia, lambendo a areia. 
Ouvi cada átomo perto de mim ressoar, como se dissesse que estavam bem ali, me alertando para realidade do momento-já, deste instante. 
Flutuei carregada pelos meus músicos, sentia a energia de cada um deles ao me sentir una com eles. 
Era uma coisa só, cheia de vida que pulsa. 

A energia que eu via se mover ao meu redor vinha como alma, leve e terna. Não tinha vontade, só se movia por que estava aqui, como se precisasse entrar em mim. E entrou. 

Ao entrar, abri os olhos. 
E continuei flutuando. 

( Para Amanda Argolo) 

Um comentário:

  1. Flutuando no universo eu-mim, a grande sensação de plenitude gerada pelo rompimento do segundo véu. Albedo, sentido, luz. Começa o despreendimento do corpo de desejo e de resto, fixe na coruja...

    Agradecida pelo post.

    Amo você!

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