De longe pude ver uma coruja voando, ia sem me sentir olhando, só eu podia senti-la, estava rápida e rasante, cheia de poesia, como todas as coisas.
Ia e logo sumiu, se dissipou, como energia de trovão, como o próprio vento.
Era assim: fugaz.
Logo se reverteu em tempo e espaço e não pude compreender bem o que era.
Se revestiu em sentimento meio revestimento de vida: conhecimento.
E lá fora música tocava leve para unir os meus pensamentos e sentimentos com o mundo inteiro.
Depois foi como onda do mar batendo na praia, lambendo a areia.
Ouvi cada átomo perto de mim ressoar, como se dissesse que estavam bem ali, me alertando para realidade do momento-já, deste instante.
Flutuei carregada pelos meus músicos, sentia a energia de cada um deles ao me sentir una com eles.
Era uma coisa só, cheia de vida que pulsa.
A energia que eu via se mover ao meu redor vinha como alma, leve e terna. Não tinha vontade, só se movia por que estava aqui, como se precisasse entrar em mim. E entrou.
Ao entrar, abri os olhos.
E continuei flutuando.
( Para Amanda Argolo)
Flutuando no universo eu-mim, a grande sensação de plenitude gerada pelo rompimento do segundo véu. Albedo, sentido, luz. Começa o despreendimento do corpo de desejo e de resto, fixe na coruja...
ResponderExcluirAgradecida pelo post.
Amo você!