sábado, 4 de agosto de 2012

Nigredo

Afinal , consegui atravessar a floresta negra, e por lá deixei me perder por um tempo, mas cheguei. Vamos comemorar!
Quero contar como consegui encarar o rosto feio da natureza cruel e engolir seco, respirar, continuar. Desenvolvi em meio as trevas do conflito de estar perdida, a intuição que me guiou, indicando cada passo.
Entrar na floresta é difícil. Você precisa coragem e vontade, força e potencia, por que no seu seio existe as possibilidades múltiplas do universo, telha de zinco.
Ter medo atrapalha, dentro da escuridão devemos nos ater em abraçar o nigredo.
Descansar não existe, por que o terror também está nos sonhos.
Negar a escuridão só a torna mais forte.
Você pode até tentar fazer isso (negar, temer, descansar) , mas é impossível quando se está perdida, sei pois foi assim comigo.
Chamo-a de "Coisa" o que me parece melhor, sua maior característica é ser indefinível.
Ela fica á espreita, escondendo seu rosto, e se você tentar fugir a armadilha estará pronta quando cruzar a próxima árvore. O melhor a fazer é acossa-la, limitar seu espaço para te-la em sua frente e olhar nos olhos horrendos dela.
Quando conseguir pega-la de surpresa, e ter a oportunidade de diálogo, perceberá que não quer mais fugir, nem gritar por socorro, quer só desvendar o motivo de ser uma besta fera.
No instante que eu consegui vê-la compreendi o quanto pequena era. De mim saía a luz que a deixava em evidencia, mas mesmo assim eu sabia que ela guardava os segredos misticos da floresta negra e por isso tinha que ganhar sua benção e absorver sua sabedoria, não mata-la. A Coisa agora era mãe. Aos poucos me deixei levar como serva, cumprindo seus deveres, compreendendo-a e ao mesmo tempo fazendo o mesmo com o meu medo (que sumia).
Depois de alguns dias ela me colocou em frente a um rio vermelho e disse-me "Prossiga, agora você tem confiança e sabe que sempre guardou os segredos do mundo, és capaz de enfrentar todo monstro. Sem dúvidas ao entrar no rio irá sangrar, como toda mulher. Sabia que o vermelho é a cor da esperança? E não esqueça de ouvir a voz." . Ela me empurrou rio a dentro, e aqui estou.

Um comentário:

  1. Pelo visto passou uma temporada pelas profundezas. Rs.

    O seu texto é muito cativante, demonstra, realmente, uma sabedoria incomum.

    "A Coisa" nos esfola vivo, é a nossa alma exposta a "opus" alquímica.

    Paz e bem.

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